Estava voltando de um CDL em Coxim/MS quando recebi uma mensagem do Junior (Xavante) com esses dizeres: “Bora pedalar neste carnaval?” Quando cheguei em Mogi fui me inteirando de toda a preparação para a tal pedalada de carnaval. Destino? Basílica de Nossa Senhora Aparecida, casa da nossa Mãe Cidinha. Aceitei o convite e fui adicionado no grupo do WhatsApp (sempre tem um grupo de WhatsApp).

Apoio, alimentação, paradas, hospedagem, ferramentas e kits para as bikes. Coisas para serem definidas e encaminhadas. Aos poucos fomos conseguindo resolver e marcamos uma reunião na casa do Junior. Nessa reunião eu tinha apenas um objetivo. Convencê-los a fazer o percurso em três dias. Isso mesmo! Eles queriam rodar 211 km pela rota da Luz em um dia e meio. Sendo eu, o mais sedentário do grupo saí na defesa de fazermos em três dias. Cheguei a questioná-los dizendo: “Vamos disputar algum campeonato? Pan-americano ou Olimpíadas? Vai ter medalha? Precisamos curtir o caminho, com certeza tem cachoeira”. Nada funcionou! Naquela noite fechamos tudo o que faltava, incluindo o fato de que faríamos em um dia e meio, com a ressalva de não haver imprevistos. Tudo encaminhado e decidido saí da reunião com todas as orientações para compra da minha bike, afinal, era o único que ainda não tinha o principal item para pedalar.

Saímos de Mogi na madrugada do sábado (22/02/2020) por volta das 05h00 e chegamos à casa da Mãe Cidinha na noite do domingo (23/02/2020) às 21h30. Pois é, alguns imprevistos fizeram com que completássemos a rota em dois dias.

Essa jornada foi uma experiência de fé e superação. Sabemos que experiência não se transfere, cada um vive e saboreia a sua. Podemos partilhar e a partir daí motivar a experienciarem também. Assim foi comigo. Escutei muitas partilhas de amigos e familiares que já haviam feito o caminho e que contavam com os olhos brilhando a experiência de terem feito a travessia pela rota da luz.

Fiquei imensamente feliz e alegre com a disposição, parceria e a energia do grupo. Estávamos em oito pedaleiros: Carlos Henrique (Teteu), Danilo Costa (Dan), Fernando Junior (Xavante), Guilherme Cardoso, Guilherme Vinicius (Guiga), Julio Silva (Charlie), Maicon Souza (Bora) e eu. Pra acompanhar esse grupo tivemos o fundamental apoio do Fernando Carneiro (Nandão).

Muitos foram os fatores que nos fizeram superar todos os desafios. Maturidade, união e bom humor (em alguns momentos um pouco menos, é verdade) foram sendo ingredientes fundamentais. Somado as prosas e aos olhares de força que tínhamos uns com os outros. Esses desafios rendem muita prosa e muitos causos para serem contados na roda com os amigos.

Ao longo da travessia encontramos peregrinos de bike e que estavam a pé. Nandão sempre oferecia ajuda a todos que passavam nos pontos em que estávamos parados. De modo particular tive a alegria de encontrar meus primos Geraldo e Maria Alice em um desses pontos, no trecho de Redenção da Serra.

Quando avistamos o nome Aparecida em uma das placas de sinalização o coração começou a bater mais forte e foi aumentando à medida em que nos aproximávamos da casa da Mãe. Quando entramos em Aparecida estávamos alinhados (em fila). Ao avistarmos a Basílica iluminada ergui os braços e começamos a gritar. Impossível controlar as lágrimas e a emoção. Lembra o que eu disse a pouco sobre experiência? Pois é, estava concretizando a minha.

Quando chegamos, a Basílica estava fechada. Demos a volta e encontramos um portão de acesso aberto. Estava aberto para os fieis que estavam do lado de dentro saírem. Tivemos permissão para entrar e pedalamos até a entrada da visitação da imagem que também estava fechada. Neste momento estávamos apenas nós e os funcionários da basílica. Pedimos com carinho e eles nos disseram que abririam às 22h30 para entrarmos e rezarmos. Por uma hora ficamos a vontade na casa de nossa mãe. A experiência coletiva e pessoal passou a ser refletida neste tempo. Abraçávamo-nos e parabenizamos uns aos outros. Tiramos foto e descansamos (além, de receber o cuidado e massagem do Júlio).

O momento que coroa toda a nossa travessia foi quando abriram uma grade e pudemos subir a rampa com as bikes. Combinado é combinado e às 22h30 pudemos entrar. Levamos aos pés da Mãe Aparecida nossos propósitos, sonhos, projetos e acima de tudo a nossa vida, bem como a vida de cada um e cada uma que nos ajudaram direta ou indiretamente e nossos amigos que não puderam estar conosco.

Popularmente dizemos que conselho se fosse bom a gente não dava a gente vendia. Pois bem, quer um conselho? Se permita viver e saborear essa experiência.

“Pelas estradas da vida, nunca sozinho estás,
Contigo pelo caminho, Santa Maria vai.

Ó vem conosco, vem caminhar, Santa Maria vem
Ó vem conosco, vem caminhar, Santa Maria vem.” 

 

Thiago Cardoso

Diocese de Mogi das Cruzes

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