Jorge Boran CSSp.
Quero chamar a atenção para um fenômeno novo: o súbito aparecimento da juventude nos protestos políticos das últimas semanas.
O documento de Medellín, de 1968, proclamou a juventude como uma nova força de pressão na América Latina e no mundo. Mais tarde, descobrimos que ela também pode ser conservadora. Nos últimos anos, temos ouvido a pergunta: “Onde está a juventude?” Nas lideranças das pastorais, dos movimentos sociais e da política, mais preocupadas com a exclusão dos mais pobres da sociedade, predominam pessoas de cabelos grisalhos. Assim, fica difícil garantir a renovação e o futuro!
Mas a juventude tem uma característica que a diferencia dos adultos. Estes tendem a permanecer em caminhos já consolidados e traçados. A juventude, dependendo das circunstâncias pode mudar rapidamente, de uma pessoa alienada a uma pessoa comprometida, tomar as ruas e assumir sua vocação histórica de renovação. Pergunto, será que não estamos diante de uma virada histórica assim? Foi assim no início dos anos 1980, com o fim da ditadura militar e a retomada da democracia, processo que formou muitas lideranças que ainda estão conosco. Será que não estamos diante de uma nova virada da juventude? Quando a pasta sai do tubo de creme dental, é difícil colocá-la de volta.
Há um outro fator. No mundo moderno, gastam muito tempo junto com outros jovens, separados dos adultos, como escolas, universidades e eventos ligados a música e a arte. Nestes espaços, os jovens conscientes exercem sobre seus pares um poder de convencimento que os adultos não têm. Eles promovem seus próprios eventos de massa e, em um segundo momento, também podem motivar outros jovens para participar, ao lado dos adultos, de grandes manifestações, como atos e passeatas em defesa da democracia e de uma sociedade mais justa e fraterna.
Aqui no CCJ selecionamos alguns vídeos recentes de diferentes partes do país que captam a energia dessa nova virada histórica.